Após se declarar oposição ao Prefeito Dr. Julinho, vereador Ednilson do Kantão é multado em quase R$ 1 milhão pela Prefeitura de São José de Ribamar



A conhecida frase “aos amigos, favores; aos inimigos, a lei”, frequentemente atribuída a Nicolau Maquiavel ou a Getúlio Vargas, descreve a aplicação seletiva e desigual das normas, onde aliados recebem benefícios enquanto opositores enfrentam o rigor extremo da legislação. Essa lógica, marcada por pragmatismo e autoritarismo, parece ganhar contornos reais em São José de Ribamar, a terceira maior cidade do Maranhão.


O episódio envolve o vereador Ednilson do Kantão, que até pouco tempo integrava a base aliada do prefeito Dr. Julinho. Durante esse período, o parlamentar exercia normalmente suas atividades econômicas no ramo de madeira e materiais de construção, com funcionamento regular e sob fiscalização da Prefeitura Municipal, sem registros públicos de sanções de grande impacto.


O cenário, no entanto, mudou após o vereador passar a adotar uma postura crítica em relação à gestão municipal. Ao cobrar ações concretas do Executivo, denunciar problemas nas comunidades e se declarar publicamente na oposição ao prefeito, Ednilson do Kantão passou a ser alvo de fiscalizações mais rigorosas.


Documentos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMAM) revelam que a empresa Shekinah Material de Construção LTDA, de propriedade do vereador, foi autuada por supostos crimes ambientais, incluindo venda ilegal de madeira e obstrução de fiscalização ambiental. As penalidades aplicadas somam valores expressivos, chegando a quase R$ 800 mil, montante que se aproxima de R$ 1 milhão.


O caso rapidamente ganhou repercussão política e administrativa, levantando questionamentos sobre possível perseguição política, uso da máquina pública como instrumento de retaliação e aplicação seletiva da lei. Para aliados do parlamentar, as multas teriam caráter punitivo e político; já para a gestão municipal, trata-se de cumprimento da legislação ambiental.


Enquanto isso, Ednilson do Kantão encontra-se no centro de um verdadeiro furacão administrativo e ético, que promete desdobramentos no campo jurídico e no debate público sobre os limites entre fiscalização legítima e perseguição política em São José de Ribamar.

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